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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Perda e Esperança (parte 1)













Seguem aqui o depoimento de uma mãe que perdeu o seu filho violentamente. Ela partilha a sua dor e também a sua esperança a partir de ter iniciado um blog, assim se comunicando e incentivando outras mães e famílias inteiras a quebrar o silêncio, cuidar de si mesmo a partir do trauma vivido e lutar pacificamente pela justiça através de criar redes e comunicar-se com outras mães sofridas. O testemunho dessa mãe é fonte de inspiração e nos fortalece na nossa caminhada vivendo em contextos de violência.

Que a vida deste filho amado e a sua morte trágica não seja em vão!

sexta-feira, 25 de março de 2011

A LINGUAGEM DA MÍDIA.....






Pomba de paz (Picasso)
Como marcar a “Operação Nordeste de Amaralina” que está acontecendo desde cedo da madrugada do dia de hoje? Estamos mais uma vez experimentando um conjunto de emoções: medo, ansiedade e pavor. Mas aqui queremos apenas fazer uma observação a respeito da linguagem usada na mídia que descreve a situação atual. Ela continuará durante este final de semana. As frases colocadas nos fazem questionar o papel da mídia. Fala-se da “limpeza do Nordeste de Amaralina” e do “dia da vitória”.  Uma linguagem desta reforça a imagem do bairro violento e não ajuda na cultura da paz. Tem uma grande diferença entre a frase: “bairro violento” e “violência no bairro”!!!  A mídia poderia contribuir à paz na região do Nordeste de Amaralina através de convocações pacíficas, relatando os fatos de uma maneira menos sensacionalista.
A nossa sede pela paz é bem expressa na música da Joana:
"Nossos dias quando estão assim difíceis
Não estamos sós, tem alguém por nós
Vejo cenas que jamais pensei que visse
Vidas que se vão...inocentes vão!
Seja amigo ou estranho, dói igual em mim
São Geísas, Carolinas, Omymares, Tins
Quantas vezes me pergunto:"O que é ser um cidadão?"
Eu não quero só sobreviver! Quero a plenitude do viver!
Já nem sei pra onde vai a humanidade
Tem que ter amor, sem qualquer temor
Todos têm direito à felicidade
E a poder sonhar, em qualquer lugar
Quero andar sem ter o medo no meu calcanhar
Na cidade à noite amando estrelas e luar
Quero ver numa criança a esperança refletir
No sorriso, me fazendo crer, nessa paz

Que eu quero tanto ter. Ô, ô, ô, ô paz!
Peço agora, paz!
Esse grito eu não vou calar

Como não calo uma oração. Paz!
Nós queremos paz!
Quem deseja faz acontecer não fica esperando em vão
Quero andar sem ter o medo no meu calcanhar
Na cidade à noite amando estrelas e luar
Quero ver numa criança a esperança refletir no sorriso,
Me fazendo crer nessa paz que eu quero tanto ter ô,ô,ô,ô, paz; ô,ô,ô,ô paz."

Foto aereal da região do Nordeste de Amaralina


sábado, 19 de março de 2011

E AGORA JOSÉ?

"A festa acabou,
A luz apagou,
O povo sumiu,
A noite esfriou...."
(Carlos Drummond de Andrade)
Uma semana depois do carnaval! As notícias de Salvador nos relata: "Folia 2011 tem média de 140 crimes por dia, 228 feridos num dia só, 243 ônibus sofreram ação de vândalos, 522 acidentes, menina de 14 anos leva três tiros, tia e sobrinho são mortos a tiros, outros três homicídios a tiros e paulada na cabeça, uma mulher assassinada a pedradas, duas mulheres baleada no circuito do Carnaval, 13 assassinatos em menos de 24 horas,....".  
Não necessitamos adicionar mais ocorrências da “festa de alegria”.... a festa acabou!
A atitude não-violenta que o Mahatma Gandhi pregou é mais urgente do que nunca. Ele tem uma frase que poderia ajudar na construção de um mundo melhor: “Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova”. Que o Carnaval volte a ser uma festa de alegria e não resultando em tanta violência! Que as famílias das vítimas da morte violenta do Carnaval 2011 recebam o apoio que necessitam.