quinta-feira, 5 de maio de 2011

SUPERAR OS TRAUMAS E ALCANÇAR O BEM-ESTAR


Ivanete Effren Garrido, Jandira A.d.Souza Anunciação,
Janete M. d. Silva e Silva e Ivanete Santana (ESPERE)

Na noite do dia 4 de maio, o Projeto Consolação foi rumo ao bairro de Plataforma, Paróquia S. Brás, sob os cuidados dos Missionários de Consolata. Convidado foi também a ESPERE (Escola de Perdão e Reconciliação). ESPERE trabalha com pessoas machucadas que desejam superar rancores e ódios provocados pela violência e sofrimento de perdas. Responsáveis por ESPERE são Jandira, Janete, Ivanete, Vera, William e Ivanete Santana (vejam a foto das participantes presentes nessa noite). Participaram mais de 65 mulheres e homens com uma forte presença de jovens que fazem parte do Projeto Coequilombo (Pré-vestibular Alternativa). Trabalhamos o tema “Superar os traumas e alcançar o bem-estar”. O Projeto Consolação expôs o conteúdo: a definição de trauma, as suas várias manifestações e seus efeitos como também exercícios de bem-estar (Capacitar). Teve muitos testemunhos e depoimentos que nos deixaram ver o quanto que é necessário uma oficina deste tipo.
Michael Mutinda, Missionário de Consolata, diz: “O mundo de hoje precisa trabalhar a questão de superação dos traumas causados pela violência ao ponto de chegar a aprender perdoar tanto as vitimas como os sujeitos. Como dizia Nelson Mandela, ‘até que o mundo chegar aprender o perdão, não existe o futuro do ser humano’. Plataforma necessita isso porque vivemos numa sociedade onde o número de violência e morte está aumentando a cada dia. Os membros do nosso bairro vivem com medo do próximo. Precisamos de maior conhecimento como trabalhar com os sentimentos para nos abrir mais a esta necessidade de superação de rancor e ódio”. Jandira A.d. Souza Anunciação, mãe de um filho assassinado, partilha: “No bairro nosso, muitos sofreram grande  violência. Muitos perderam os seus filhos, outros têm que cuidar dos seus filhos agora deficientes físicos por causa de balas. Eu mesmo perdi meu filho no ano 2002, ele tinha 28 anos. 
Dança circular
Daí comecei me interessar pela busca de paz. Eu me tornei agente de paz. Através da partilha com pessoas que sofreram igual a mim, eu melhorei. Na minha cabeça nunca pensei que iria passar por isso. Entrei na ESPERE em 2003. Já fomos para São Paulo, Rio de Janeiro e até para Colômbia. Nós encontramos outras pessoas que já passaram. Hoje queremos transmitir a paz. Eu mesmo me encaixei na ESPERE. Eu me senti feliz. ESPERE tem encontros nacionais e internacionais”. É interessante aprender mais sobre a ESPERE, quem saber pesquisar, entre no site http://www.espereniteroi.com/. Ivanete Effren Garrido nos explica: “Para que as pessoas consigam trabalhar as suas emoções, as suas raivas, e os seus traumas, precisam oficinas dessas. Eu conheçi e conheço pessoas que perderam os seus filhos assassinados. Assim entrei na ESPERE e comecei a ajudar conviver com esta dor e mágoa com que ficaram". Ela recorda: "Nasci neste bairro, era muito calmo. Minha infância era tranqüila. Até meia-noite ficamos na rua. Nunca sentíamos medos. Agora as crianças não tem mais esta liberdade”. A oficina foi muito bem participada. Além de danças circulares, passamos duas práticas do CAPACITAR, exercícios físicos que ajudam na superação dos traumas (cf. http://www.capacitar.org/).

Um comentário:

  1. Itânia Neri - Voluntária do Projeto Consolação6 de maio de 2011 07:48

    Medo do próximo!
    Sim, é urgente um trabalho de conhecimento dos sentimentos, próprio e do outro.
    Penso que vivemos muitos conflitos no nosso cotidiano, na família, trabalho, com amigos, na sociedade com um todo.
    (Questionamentos pessoal):
    -Como posso viver o perdão e a compaixão quando os meus defeitos são mais visíveis que as virtudes?
    -Como posso falar de Cultura da Paz quando provoco a desvalorização do outro, mesmo que com gentileza?
    Eu faço Capacitar, mas percebo que mais conhecimentos como o do ESPERE eu preciso.
    Tive a honra de participar deste encontro, Superar os traumas e alcançar o bem-estar, o que me ajudou na reflexão do autoconhecimento. Agradeço a boa acolhida de todos(as) e a ALEGRIA compartilhada
    "Pessoas, são quem transformam o mundo"...
    Um grande abraço.

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